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História · Capítulo III1290 – 1772

Universidade, a cidade dos colégios

1290onde esteve a Universidade, à escala do tempo1537 →

A Universidade nasceu em Lisboa, em 1290, e andou entre as duas cidades até ficar em Coimbra, em 1537 — na casa do rei. À volta dela a cidade encheu-se de colégios.

Como ler os selos
  • Medidolido hoje por instrumento
  • Escavadoencontrado em escavação e publicado
  • Documentadoescrito numa fonte antiga ou num registo
  • Hipóteseproposto pelos investigadores, por provar
  • Esquemadesenho para explicar, não à escala do achado
O VAIVÉM

Entre Lisboa e Coimbra

As seis datas do gráfico de abertura, uma a uma: onde nasceu, as quatro mudanças e a última vinda.

  1. Lisboa1290

    Nasce em Lisboa

    A 1 de Março, D. Dinis faz saber que ordenou um estudo geral na cidade de Lisboa; em Agosto, uma bula papal confirma-o, com Artes, Cânones, Leis e Medicina.

    Documentado[1]
  2. Coimbra1308

    Primeira vinda

    O mesmo rei muda-a para Coimbra e dá-lhe casa própria, encostada ao paço real: os Estudos Velhos. Em 1309 recebe privilégios que a mandam governar-se à bolonhesa — os estudantes elegem o reitor.

    Documentado[1]
  3. Lisboa1338

    Volta a Lisboa

    D. Afonso IV leva-a outra vez para Lisboa.

    Documentado[1]
  4. Coimbra1354

    Segunda vinda

    Em Dezembro já está de novo em Coimbra, agora na parte baixa da cidade. Em 1370, D. Fernando manda fazer escolas maiores no arrabalde.

    Documentado[1]
  5. Lisboa1377

    Cento e sessenta anos em Lisboa

    D. Fernando leva-a para Lisboa, onde fica 160 anos. Coimbra não fica sem escola: o Infante D. Pedro funda lá outra, que acaba reduzida às Artes e dura nos Estudos Velhos até 1537.

    Documentado[1]
  6. Coimbra1537

    De vez

    D. João III traz a Universidade para Coimbra, como parte de uma reforma que começara em Santa Cruz. As aulas abrem a 2 de Maio. Daí não voltou a sair.

    Documentado[1]
A RUA DA SOFIA

Uma rua a direito

Rasgada em terrenos de Santa Cruz para ser a rua dos estudos. Deitada na horizontal, com os colégios que lá se ergueram entre 1540 e 1550.

RUA DA SOFIA← Santa Cruz
11548Artes1550S. Boaventura231541Espírito Santo41541Carmo51543Graça61540S. Pedro dos Terceiros1546S. Tomás7
largura entre fachadas, a cada 5 m · linha: mediana, 12,4 m
Planta · a rua deitada, de Santa Cruz (à esquerda) para norteMedido[5]Documentado[1]
455 ma direito: em todo o comprimento, afasta-se no máximo 2,6 m de uma recta.
12,4 mde largura entre fachadas, a meio. As ruas medievais da Baixa, ao lado, têm entre 2,2 e 3,9 m e desviam-se entre 11 e 18 m.
  • Rua da Sofia12,4 m
  • Rua Direita3,9 m
  • Rua Eduardo Coelho2,2 m
  • Rua Adelino Veiga3,8 m
  • Rua das Padeiras3,2 m
Medido[5]
  1. 1Colégio Real das Artes1548Inquisição a partir de 1565; hoje o Pátio da Inquisição
  2. 2Colégio de S. Boaventura1550
  3. 3Colégio do Espírito Santo1541
  4. 4Colégio do Carmo1541
  5. 5Colégio da Graça1543
  6. 6Colégio de S. Pedro dos Terceiros1540
  7. 7Colégio de S. Tomás1546Palácio da Justiça
A CIDADE DOS COLÉGIOS

Do paço aos colégios, e de volta ao paço

A Sofia e a Alta em planta, com o relevo medido e a cerca do capítulo II. Os colégios nos edifícios que hoje os ocupam.

  1. 01

    Primeiro, ao lado do paço

    Nas duas primeiras vindas, a Universidade não tinha mais do que um edifício, encostado ao paço real no alto da colina — os Estudos Velhos — e, a partir de 1354, escolas na Baixa.

    Nenhum dos dois se sabe hoje onde ficava ao certo. O que ficou foi a vizinhança do paço, que ia pesar dois séculos depois.

    Documentado[1]Esquema
  2. 02

    Três casas para uma escola

    Quando a Universidade chega, em 1537, não cabe num sítio só. As Artes e a Teologia ficam no mosteiro de Santa Cruz; Cânones, Leis e Medicina, nas casas do reitor, D. Garcia de Almeida, na Estrela.

    Em Outubro o rei muda estas faculdades para o próprio paço real. Em 1544 junta lá tudo, menos as Artes.

    Documentado[1]
  3. 03

    Uma rua nova para os colégios

    Em terrenos de Santa Cruz rasga-se uma rua nova, a direito, larga e comprida, em ruptura com a Baixa medieval: a Rua da Sofia. Era para ser a sede dos estudos.

    A mudança para o paço desfez o plano, mas a rua encheu-se de colégios das ordens religiosas e, em 1548, do Colégio Real das Artes, com mestres trazidos de Bordéus.

    Documentado[1]
  4. 04

    A Alta dos colégios

    Com a Universidade no paço, os colégios sobem à Alta: o de Jesus, dos jesuítas, em 1547; a Trindade, S. Jerónimo, o novo Colégio das Artes, S. Bento, o Colégio Novo… No séc. XVI, a rede chega a uma vintena.

    Para os levantar deitaram-se abaixo casas, ruas e panos da muralha: aos jesuítas, a licença para derrubar muro e torres veio em 1547.

    Documentado[1]Documentado[3]
  5. 05

    O paço passa a ser da escola

    Em 1597 a Universidade compra o paço ao rei; o edifício guarda as honras de morada real. Ergue-lhe a Porta Férrea entre 1633 e 1634, a biblioteca entre 1717 e 1728 e, logo a seguir, a torre de hoje.

    Documentado[1]
  6. 06

    A reforma de Pombal

    A reforma de 1772 põe as ciências no centro, e com elas vêm edifícios novos: a Imprensa (1772), o Jardim Botânico (1774), o Laboratório Químico (1775), gabinetes e hospital no Colégio de Jesus, esvaziado com a expulsão dos jesuítas.

    O observatório começou-se no sítio do castelo, demolido para isso em 1773. Nunca foi acabado.

    Documentado[1]Documentado[3]
  7. 07

    O que a UNESCO inscreveu

    Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, os colégios fecham e passam a outros usos; alguns foram demolidos.

    Em 2013, a Alta e a Rua da Sofia entram na lista do Património Mundial: duas manchas, uma de 29,5 hectares no alto, outra de 6,5 ao longo da rua.

    Documentado[1]Medido[5]
Fora da planta
  • 1550 S. Paulo Apóstolo — demolido
  • 1561 Ordem de Cristo (Tomar) — demolido; no lugar está a Penitenciária
  • 1574 S. Pedro — junto ao Paço, a que foi juntado em 1855
  • 1615 Militares — demolido
  • 1631 Lóios — demolido
  • 1665 S. Boaventura II — demolido
Documentado[1]
UM PAÇO QUE PASSOU A ESCOLA

Do pátio vê-se o rio

D. João III desistiu da ala sul do paço e o pátio ficou aberto sobre a cidade. Em corte, medido, até ao Mondego. Por cima de tudo, a torre sobe 34 m acima do pátio.

99 mo pátio das Escolas19 mo Mondegoa linha dos olhos passa 1,2 m acima do que está no caminho · 680 m até à água50 m
Corte · do pátio ao rio, para sul-sudoeste (192°) · sem exagero verticalMedido[4]
  1. 1130

    Casa do primeiro rei

    A alcáçova de D. Sesnando passa a residência principal de D. Afonso Henriques.

    Documentado[1]
  2. Anos 1330

    D. Afonso IV

    Uma grande campanha de obras, de que restam muitos trechos.

    Documentado[1]
  3. 1513 – 1533

    O paço de D. Manuel

    O paço, abandonado, é refeito: da obra manuelina ficaram a fachada norte e o portal da capela.

    Documentado[1]
  4. D. João III

    Um pátio aberto sobre o rio

    Desiste-se da ala sul e deita-se abaixo a velha muralha em que se apoiava. O pátio fica aberto, um miradouro sobre o rio e os campos.

    Documentado[1]
  5. Outubro de 1537

    Entra a Universidade

    O rei aloja as faculdades na sua própria casa. Em 1561 projecta-se uma torre com relógio, de João de Ruão.

    Documentado[1]
  6. 1597 – 1728

    Casa da escola

    Comprado em 1597, o paço ganha a Porta Férrea (1633–1634), a biblioteca (1717–1728) e a torre de hoje, que substitui a de 1561.

    Documentado[1]

Os estudantes escolhiam o reitor

Os privilégios de 1309 seguem o modelo de Bolonha: os alunos elegem os reitores e fazem os seus próprios estatutos, que o rei confirma em 1317. Dois séculos depois, o reitor já é um funcionário da coroa.

Documentado[1]

Um convite a Erasmo

Antes da mudança, Erasmo de Roterdão chegou a ser convidado para vir ensinar em Coimbra — o primeiro sinal de que era para aqui que a Universidade vinha.

Documentado[1]

A missão de Bordéus

Na Quaresma de 1547 chegam os mestres que André de Gouveia recrutou em Bordéus para o Colégio das Artes, entre eles o escocês George Buchanan. André morre em 1549; pouco depois, três desses mestres, Buchanan incluído, estão presos.

Documentado[1]

Aristóteles à maneira de Coimbra

Entre 1592 e 1606, os jesuítas do Colégio das Artes publicam os comentários a Aristóteles do Curso Conimbricense, que chegaram a mais de uma centena de edições. Francisco Suárez ensinou em Coimbra de 1597 a 1616.

Documentado[1]

O Paço das Escolas visita-se.E o Museu da Ciência, no Laboratório Químico, e o Jardim Botânico.

Horários e bilhetes no sítio da Universidade →
Referências
  1. Universidade de Coimbra (2012), Universidade de Coimbra — Alta e Sofia: processo de candidatura à Lista do Património Mundial, em especial “Histórico e evolução” [2.b]. whc.unesco.org/uploads/nominations/1387.pdf
  2. ICOMOS (2013), avaliação da candidatura n.º 1387, University of Coimbra — Alta and Sofia. whc.unesco.org/archive/advisory_body_evaluation/1387.pdf
  3. J. de Alarcão (2008), Coimbra: a montagem do cenário urbano, Imprensa da Universidade de Coimbra, pp. 193–267. doi.org/10.14195/978-989-26-0416-9
  4. Direção-Geral do Território, modelos digitais de terreno e de superfície LiDAR 2 m (2024). cdd.dgterritorio.gov.pt
  5. Edifícios, ruas, água e o limite do bem inscrito: OpenStreetMap, contribuidores (ODbL). www.openstreetmap.org/relation/14067606