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Retratos

Gente
de Coimbra

Vidas curtas de quem passou por Coimbra, contadas com os papéis do seu tempo: o tratado impresso, as actas do Conselho, o anuário da Universidade, a revista ilustrada, a planta seca de um herbário, as estampas de um escultor.

Retrato 1 · 1871–1966

Domitila de Carvalho

A primeira mulher a matricular-se na Universidade de Coimbra, em 1891. Foi dispensada da capa e batina, mas obrigada a ir às aulas vestida de preto. Durante cinco anos foi a única aluna.

Narrado em português · legendas disponíveis
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A vida

  1. 1871Nasce em Travanca, no concelho da Feira.
  2. 1891Matricula-se no primeiro ano de Matemática, com autorização do ministro: dispensada do traje académico, mas obrigada a apresentar-se “honestamente vestida de preto, com fato próprio do seu sexo”. Mora no Largo de S. João, n.º 19.
  3. 1892Leva o prémio do primeiro ano de Matemática e o da primeira cadeira de Filosofia, Química inorgânica. Em Julho, a rainha D. Amélia visita Coimbra e dá-lhe uma bolsa.
  4. 1894 · 1895Forma-se em Matemática e, no ano seguinte, em Filosofia.
  5. 1896Deixa de ser a única aluna da Universidade.
  6. 1904Forma-se em Medicina; no último ano tem a classificação mais alta do curso.
  7. 1905É nomeada directora do Liceu Maria Pia, em Lisboa, o primeiro liceu feminino do país. Exerce medicina.
  8. 1909Publica Versos, com prefácio de Afonso Lopes Vieira.
  9. 1935É uma das primeiras deputadas portuguesas, na Assembleia Nacional do Estado Novo. O seu primeiro projecto de lei propõe o ensino da higiene e da puericultura nos liceus femininos.
  10. 1966Morre.

Os papéis

Para ler

A Porta Férrea · continua emA AcademiaO traje de que foi dispensada em 1891, peça a peça, e o que o Código da Praxe veio a mandar vestir às raparigas.
Retrato 2 · 1502–1578

Pedro Nunes

Cosmógrafo-mor do reino e lente de Matemática em Coimbra. Mostrou que um navio a rumo fixo segue uma linha curva que vai cercando o globo até ao polo, e inventou o nónio. Dele não há retrato: ficaram os livros e a assinatura.

Narrado em português · legendas disponíveis
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A vida

  1. 1502Nasce em Alcácer do Sal, a Salácia dos latinos: assina-se Petrus Nonius Salaciensis.
  2. 1529Depois de estudar em Salamanca e de ensinar os infantes D. Luís e D. Henrique, é nomeado cosmógrafo do reino, a 16 de Novembro.
  3. 1537Publica em Lisboa o Tratado da Sphera, o único livro que deu em português, com dois tratados seus sobre a carta de marear: a linha de rumo não é um círculo, mas uma curva que vai cercando o globo até ao polo.
  4. 1542No De crepusculis propõe o nónio: 45 quadrantes, um dentro do outro, divididos em 90, 89, 88… até 46 partes.
  5. 1544A 16 de Outubro, recebe a cátedra de Matemática da Universidade, em Coimbra.
  6. 1546Imprime em Coimbra o De erratis Orontii Finaei, contra os erros de Oronce Finé, professor em Paris.
  7. 1547É feito cosmógrafo-mor do reino, a 22 de Dezembro.
  8. 1562Jubila-se da Universidade.
  9. 1566 · 1567Saem a Opera, em Basileia, e o Libro de algebra, em Antuérpia.
  10. 1573António de Mariz, tipógrafo da Universidade, reimprime em Coimbra o De arte atque ratione navigandi.
  11. 1578Em Janeiro, a filha Guiomar fere o noivo que lhe negava o casamento e recolhe a Santa Clara. A 11 de Agosto, Pedro Nunes morre em Coimbra.

Os papéis

Para ler

O Paço das Escolas · continua emA UniversidadeComo a Universidade veio de Lisboa em 1537 e se juntou no paço real em 1544, o ano em que ele recebe a cátedra.
Retrato 3 · 1744–1828

Félix de Avelar Brotero

O primeiro lente de Botânica e Agricultura da Universidade de Coimbra, de 1791 a 1811, e director do seu Jardim Botânico. Escreveu a Flora Lusitanica. O seu herbário perdeu-se; ficaram as plantas secas que mandou para fora.

Narrado em português · legendas disponíveis
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A vida

  1. 1744Nasce a 25 de Novembro em Santo Antão do Tojal. Órfão aos dois anos, cresce em Mafra, em casa do avô materno, almoxarife do paço real.
  2. 1778Em Julho, embarca para França com o poeta Filinto Elísio, que fugia à Inquisição. Em Paris adopta o nome de Brotero, “amante dos mortais”, e forma-se em medicina em Reims.
  3. 1788Publica em Paris o Compendio de botanica, em português: até ali, escreve, os princípios desta ciência só se conheciam em latim.
  4. 1791A 25 de Fevereiro, uma carta régia cria em Coimbra a cadeira de Botânica e Agricultura e entrega-lha, com a direcção do Jardim Botânico.
  5. 1792Parte a 26 de Julho para o Alentejo e o Algarve. Em Arronches tomam-no pelo “abade Walk” e passa quase uma semana na cadeia.
  6. 1793A Imprensa da Universidade publica os Principios de agricultura philosophica.
  7. 1804Sai em Lisboa a Flora Lusitanica, sem uma estampa: falta-lhe um desenhador. Gregório Francisco de Queiroz desenha para ele em Coimbra nas Primaveras de 1805 a 1807.
  8. 1811O príncipe regente nomeia-o director do Museu e do Jardim Botânico da Ajuda e jubila-o da cátedra de Coimbra.
  9. 1828Morre em Lisboa a 4 de Agosto. O seu herbário é destruído depois da morte.

Os papéis

Para ler

O Jardim Botânico · continua emVisitarO jardim em três dimensões: o quadrado de baixo, as árvores do tempo dele e a estátua junto ao portão.
Retrato 4 · 1731–1822

Joaquim Machado de Castro

Escultor, baptizado na Sé de Coimbra em 1731. Fez a estátua equestre de D. José, na Praça do Comércio, e explicou-a num livro de 1810, com as estampas que ele próprio desenhou. As mãos do rei são moldadas das suas.

Narrado em português · legendas disponíveis
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A vida

  1. 1731É baptizado na Sé de Coimbra a 27 de Junho, filho de Manuel Machado Teixeira, natural de Braga. Começa a aprender com o pai, que, diz um biógrafo de 1823, “modelava com perfeição”.
  2. 1756Depois de aprender em Lisboa com o escultor José de Almeida, entra em Mafra como ajudante do italiano Alessandro Giusti.
  3. 1771A 21 de Março leva ao Paço o seu modelo da estátua equestre de D. José, contra o de um escultor maltês, e no dia seguinte sabe-se eleito. Mede cavalos durante dez dias e copia um, o Gentil. A 10 de Julho recebe a ordem para o modelo grande, em estuque.
  4. 1773De Outubro a Dezembro, com seis ajudantes, retoca as peças de cera.
  5. 1774A 15 de Outubro, a estátua é fundida de um só jacto pelo engenheiro militar Bartolomeu da Costa.
  6. 1775É inaugurada a 6 de Junho, dia dos anos do rei. O escultor recebe o hábito de Cristo.
  7. 1777–1783Escultor da Casa Real, faz a escultura da Basílica do Coração de Jesus, à Estrela. Faz também figuras de presépio em barro.
  8. 1810Publica a Descripção analytica da estátua, com as estampas que desenhou.
  9. 1822Morre em Lisboa, com 91 anos.
  10. 1911É criado em Coimbra, no antigo Paço Episcopal, o museu com o seu nome. Abre em 1913.

Os papéis

Para ler

O Museu Nacional de Machado de Castro · continua emVisitarO antigo Paço Episcopal, a dois passos da Sé, e por baixo dele as galerias de pedra do fórum romano.